Garra de Águia

Garra de Águia / Estilo


Estilo

Ying Jow Pai , estilo da Garra de Águia (ou sistema), tem um rico passado. Rico como a história dos mestres de sucesso do Kung fu, sua origem pode ser localizada na Dinastia Sung chinesa, por volta de 1130 D.C.Um general chamado Ngok Fei foi incumbido da árdua tarefa de defender o povo dos poderosos guerreiros mongóis inclinados a conquistar o Império. O General dotou e treinou seu exército em "108 técnicas" de luta que auxiliaram a reprimir a invasão. Com suas vitórias, Ngok Fei ganhou notável reputação e um lugar na história, equivalente àquele de Dom Pedro I no Brasil. A Garra de Águia da época era chamada de "ying kuen" ou punho de águia, e era primariamente um sistema de técnicas de mão que incorporava agarramentos, golpes em pontos de pressão, rasteiras e quedas. Mais tarde, por volta de 1360 D.C., um monge chamado Lai Chin, ficou tão impressionado com esse conhecimento, que combinou-o com um sistema de chutes e saltos do norte chamado "fann tzi". Com esse complemento ,surgiu um estilo completo, em mãos e pernas, o "Ying Jow Fann Tzi". Hoje os dois são inseparáveis, sendo o segundo já extinto, apesar de ter influenciado vários estilos do norte em seu tempo.

Mais recentemente, distinguem-se como mestres do estilo: Chan Tzi Ching, um lutador imbatível durante sua época, que ajudou a estabelecer a Associação Ching Mo de Shangai em 1920; Lau Fat Mon, o último grão- mestre de garra de águia, tão reconhecido que instruiu o exército chinês de 1933-1936; Ng Wai Nung, falecido em 1991, que divulgou o conhecimento em Hong Kong, Singapura e sul da China. Seu principal discípulo, Mestre Leung Shum , deu nova vida ao estilo na América do Norte, e sua escola gerou artistas marciais de qualidade, como: Benson Lee, Cecil Jordan, Frank Marrero, Wanda Pruska, Dario Acosta e Ernest Rothrock, entre outros. Destes, Mestre Dario Acosta implantou o sistema na América do Sul (no Paraguai), na década de 1990; e, através de seus ensinamentos, o Professor Christian Iranzo fundou a 1ª escola dessa linhagem no Brasil, no ano de 2002.

Muitas dessas realizações são porque YJP é um sistema equilibrado e compreensível. Sendo clássico e completo, desenvolverá um indivíduo física, mental e espiritualmente, fixando objetivos e padrões desafiadores. Se praticado com afinco, produzirá elevado nível de habilidade física, e aguçado estado de alerta mental. As realizações e o crescimento pessoal experimentados, instilarão uma confiança capaz de lidar com qualquer obstáculo na vida. Tais parâmetros surgem mais nitidamente em sua filosofia de combate. Sua especialidade é a complexa arte do "chin na" (trava). Os travamentos são similares ao desvio de um passo e praticados com um parceiro. As táticas enfocam o rendimento, o controle e imobilização do oponente através de segurar e agarrar seus membros, além do ataque à pontos de pressão; rasteiras e tropeções. Empurrar e puxar, também são usados nessa combinação para confundir e controlar. Cada grupo de técnicas enfoca uma área diferente da anatomia (tais como cotovelo, pulso, garganta, pé, cintura, dedos e cabeça), e visa funcionar como contra-ataque, ou seja, agarrar e controlar, anulando a ameaça. Para suplementar e expandir tais habilidades, utiliza-se o treino das "formas" (combinação de movimentos ora firmes e suaves, ora rápidos e precisos) de mãos nuas, de armas, lutas combinadas e acrobacias. Com elas, melhoramos a compreensão e exibição de alguém a várias condições, movimentos e combinações, para reduzir e limitar a influência do fator surpresa, permitindo reação e respostas mais rápidas para defesa. Essa é a razão para manter essa prática através da história do kung fu como parte do ensino completo.